"At times, on days of perfect and exact light,
When things have all the reality they can,
I ask myself slowly
Why I even attribute
Beauty to things.
Does a flower somehow have beauty?
Somehow a fruit has beauty?
No: they have color and form
And existence only.
Beauty is the name of something that doesn’t exist
I give to things in exchange for the delight they give me.
It means nothing.
Then why do I say, “Things are beautiful”?
Yes, even I, who live only to live,
Invisible, they come to meet me,
Men’s lies in the face of things,
In the face of things that simply exist.
How difficult to be yourself and see only what you can!"
Alberto Caeiro (one of Fernando Pessoa's many heteronyms)
(3/11/1914)
"Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Por que sequer atribuo eu
Beleza às cousas.
Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer cousa que não existe
Que eu dou às cousas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então por que digo eu das cousas: são belas?
Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as cousas,
Perante as cousas que simplesmente existem.
Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!"
Thanks to Noelle for spotting this one and to Lyndal for not moving...